Alessandra Leles Rocha é natural de Uberlândia, Minas Gerais. A partir do segundo semestre de 2004 passou a dedicar-se à literatura, publicando seus textos na Internet (no site Para Ler & Pensar e no Portal Mhário Lincoln do Brasil). Em 2006 foi premiada pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes - APALA / RJ, recebendo a medalha de prata pelo II Concurso de Crônicas daquela Instituição; bem como, teve outra crônica classificada com Menção Honrosa, no Concurso de Poesia e Crônica / 2006 realizado pelo Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes – CEBLA, no Rio de Janeiro. Também em 2006, foi agraciada com o Título de Membro Correspondente da APALA / RJ. Em 13 de fevereiro de 2007, foi agraciada com o Título de Membro Correspondente do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais – InBrasCI, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Em 02 de maio de 2008, foi agraciada com o Título de Grande Pensadora, por suas contribuições literárias ao site Para Ler e Pensar. Participou do Projeto “Concurso Calendário” do Programa “Cultura na Comunidade” da Secretaria Municipal de Cultura de Uberlândia (MG), nas edições de 2009, 2010 e 2011, com os respectivos poemas: “Vida”, “Alma” e “Cegos”; bem como, do PROJETO LITERATURA E LINGUAGEM – “VIAJE POETICAMENTE” DO PROGRAMA DIFUSÃO CULTURAL – EDIÇÃO 2010, da referida Secretaria, com o poema “Retratos do Tempo”. Em 09 de outubro de 2010, foi agraciada com o Diploma de Membro Efetivo da Governadoria do Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais de Minas Gerais (RD-InBrasCI-MG) e com o Certificado de Honra ao Mérito, também pela mesma Governadoria pela relevante atuação e contribuição na área cultural e literária de Minas Gerais. Atualmente, dedica-se também ao seu próprio Blog, o "http://alrocha-antenacultural.blogspot.com.br/" e a sua empresa LITERARUM, que trabalha com Traduções e Revisões de textos e artigos em português e inglês (http://www.literarum.website/). 

ALESSANDRA LELES ROCHA

As quatro estações... da alma humana
Por: ALESSANDRA LELES ROCHA
 

Depois de alguns meses de estiagem as primeiras chuvas anunciam que a Primavera se aproxima. Na filosofia da Natureza é tempo de recapitular as lições da metamorfose.
Na aridez dos campos e das almas nada floresce. É preciso água para regar as sementes, os sonhos, às esperanças. Não importa se vinda dos céus, rios, mares ou olhos. Importa que seja água capaz de banhar e nutrir.
Só assim a metamorfose, a grande transformação natural acontece. O que os tempos áridos souberam queimar, para matar as pragas, enfermidades e deformidades, agora têm a oportunidade de ressurgir das cinzas que se misturam as águas e moldam esse barro sagrado e profícuo.
Assim ensina a Natureza. Deveríamos aprender tais princípios porque se trata da vida em todas as suas instâncias, o que nos inclui pobres mortais. Tantas folhas mortas cobrem nosso corpo e espírito. Quantos galhos secos interrompem os nossos fluxos vitais. Parecemos mais áridos do que na verdade somos, na medida em que não deixamos resplandecer o viço. Mas, ele ainda resiste!
Quantas primaveras deixamos passar sem perceber tamanha lição? Mas, a Natureza é sabia e persistente, insiste a nossa displicência se repetindo. Algum dia haveremos de nos dar conta do que ela diz. A própria rudeza da vida, também, nos impõe essa repetição. Afinal de contas, ano a ano a estiagem se torna mais rigorosa e as bênçãos das águas mais necessárias, como se a nossa aridez humana se refletisse no meio ambiente.
Sim. Absortos pelas maravilhas do nosso mundinho, não raras às vezes, esquecemo-nos de nos alimentar, nos hidratar,... dormir. Semelhantes às plantas negligenciadas em um jardim. Mas, ao contrário delas, disfarçamos o viço com recursos artificiais e, nem sempre, eficazes. Apenas tentativas de se parecer apresentável e agradável aos olhos do mundo.
Diante disso, dessa perda lenta e gradual da capacidade de cuidar-se, a opção foi substituir, também, a Natureza. Jardins artificiais nos rodeiam. Luz artificial nos ilumina. Espaços cada vez menores para viver impossibilitam desfrutar da presença mais íntima e pessoal com o ambiente natural. E, sem nos darmos conta, distanciados do ciclo biológico das estações do ano.
Apesar de todos os pesares, ele ainda existe. Talvez, não didaticamente como proposto nos livros e nas teorias; afinal, as metamorfoses impostas pelas próprias ações antrópicas já impactaram a Natureza de alguns modos irreversíveis. Mas, com um pouco de lucidez e sensibilidade ainda é possível ver a mágica sutil das estações acontecer. 
Cientes ou não permanecemos ligados à Natureza. Somos parte integrante e integrada de Gaia; portanto, no mais profundo de nossas entranhas sentimos o fluxo da vida em pulsante transformação. Transpiramos mais ou menos. Respiramos com mais facilidade ou menos. Alimentamo-nos melhor ou pior. Sentimos mais ou menos preguiça. Enfim... Enquanto lá fora, entre calmarias e ventanias a natureza se faz e desfaz, sob a nossa impaciência cotidiana. 
Para cumprir a saga da vida, ou seja, nascer crescer envelhecer e morrer, a regra básica é a transformação. Quem sabe nessa Primavera você, então, preste mais atenção ao que acontece dentro e fora de você? Como disse lindamente a poetisa Cecília Meireles, “Aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira” 1. E ela está certa; pois sem passar pelas quatro estações... a alma humana jamais consegue a metamorfose da existência capaz de torná-la plena inteira e verdadeiramente interessante. 

1 MEIRLES, C. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001. Trecho do poema “Desenho”. 

Sede: Curitiba - Paraná

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