ANGEL POPOVITZ  (Poesia & Alma)

 MHARIO LINCOLN - Qual foi o momento em que você decidiu que poderia escrever poesias?

 

ANGEL POPOVITZ - Desde criança eu sempre tive uma espécie de adoração pelas palavras, antes de aprender a ler e mesmo sem compreender o que estava escrito eu já gostava da forma visual, dos desenhos das letras no papel, isso me causava uma forte impressão. Aprendendo a ler, comecei a ter gosto pelas rimas, e rimando eu escrevia pequenos versos em formato de cartões com desenhos e saía distribuindo pela a vizinhança da cidade em que eu nasci. Hoje eu me dou conta de que aquilo que eu escrevia já era poesia.

ML - Esse sentimento que envolve seu belo trabalho, como se originou?

ANGEL - Sempre fui levada pelas emoções do momento, pelo instinto. Escrever foi uma terapia que encontrei para tentar resolver meus problemas de não adaptação ao mundo, problemas internos e externados através da escrita. Tudo que escrevo exprime essas emoções cotidianas e isso acaba tocando as pessoas. Sempre deixei fluir naturalmente, nunca tive maiores pretensões a não ser a de transmitir essas emoções, esses sentimentos que são assimilados pelo outro através da poesia, e tem sido bastante agradável quando alguém me escreve dizendo que se comoveu com uma poesia que escrevi - essa é a magia. Pode ser que daqui alguns anos eu tenha sumido ou quem sabe alguém descubra uma poeta chamada Angel Popovitz, que escrevia versos com uma voluptuosa caneta que gozava tintas no papel.

 

ML - De alguma forma um ou uma poeta influenciou seu trabalho?

ANGEL - Prefiro não citar nomes, o que posso afirmar é que a arte de modo geral me influenciou, através de poetas, escritores, músicos, pintores e artistas que me inspiram com suas obras.

 

ML - Você fala de amor e ternura quase sempre em seus versos. Essa é a base de suas poesias?

ANGEL - Exatamente, quase sempre eu escrevo sobre amor e ternura, mas minhas poesias são bastante ecléticas. Se você me der um tema eu sou capaz de escrever um conto, uma crônica, mas a poesia não, ela só surge de um espanto, o que alguns chamam de inspiração.

 

ML - Existe a prosa poética - aquela em que não há necessidade de rimas, nem de estilo definidos. O que você me fala sobre a liberdade de poetar, então?

ANGEL - Embora eu goste muito das rimas, não me prendo a elas, deixo que a poesia flua. Eu acho que a função maior do poeta é produzir versos que despertem uma emoção no leitor, é escrever sem amarras, prezando, portanto, pela escrita correta. Se seus versos forem bons ele estará cumprindo muito bem o seu papel, se o sentimento de quem o lê for correspondido, se houver a mesma alegria, dor, saudade fantasia... certamente o leitor se sentirá de alguma forma mais confortado.

ML - Se você tivesse que escrever uma poesia para a Paz do Mundo, qual seria sua ideia?

ANGEL - Quando o termo Paz surge, remete ao pensamento de que as crianças são a esperança de um mundo melhor, quem sabe eu escreveria sobre a Educação para a Paz, mas não tenho ainda um insigth!

 

ML - Falam que o "sofrimento" e a "dor" são combustíveis para um bom poema. Você acha?

ANGEL - Eu sempre costumo dizer que os gostos e os desgostos da vida me ensinaram a escrever poesia.

 

ML - Quais poetas que você leu e nunca mais esqueceu?

ANGEL - Manuel Bandeira, Mario Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Paulo Leminski, Oswaldo Montenegro, João Cabral Melo Neto, João Guimarães Rosa, Fernando Pessoa, Mia Couto.

 ML - Cite algum momento em sua vida que foi fundamental na conscientização de sua trajetória poética.

ANGEL - Nasci e cresci em Palmeira - uma cidade do interior do Paraná, até então tudo que eu escrevia ficava guardado num arsenal de papelada que carrego ao longo da vida. No final de 2009 mudei para a cidade de Marabá no Pará - quando senti o impacto cultural, o desconhecido, a falta de amigos e família por perto, e então a vida começou a me desafiar com pontos de interrogações que pareciam dar crias, era como se eu tivesse mergulhado numa piscina de emoções. Nesse período criei um blog, o qual eu alimento até hoje e comecei a compartilhar minhas inquietações; nunca me revelei, prefiro assim. Há pouco mais de dois anos comecei a compartilhar algumas poesias no Facebook, e foi nesta rede social que conheci virtualmente e depois pessoalmente muitos poetas, artistas, músicos, jornalistas e escritores, e consequentemente recebi e venho recebendo convites para participar de eventos literários e também a publicar meus poemas em outros meios.

 

ML - Quer deixar alguma mensagem para aqueles que gostariam de escrever, mas que alimentam ainda o medo de publicar suas obras?

ANGEL - Atualmente existe o recurso da internet, acho bastante interessante começar publicando nesse meio, o escritor consegue ter um feedback dos leitores e vai conquistando a sua interação. Antes de publicar, porém, sugiro reescrever quantas vezes for possível até estar convencido de que chegou à versão final. Ler sempre e ler muito é fundamental para se ter uma boa escrita!

Sede: Curitiba - Paraná

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