A poesia forte 
de Luciah Lopez

Da escuridão surge a velhice.

Resignada.

Enrugada.

Arrastando suas sandálias de tiras

enquanto o coração,
indagando pelo louco anjo que nos habita

entoa seu canto de cisne.

Não tem flores na minha janela...

Penduro os sonhos num cabide

e me ajoelho diante da minha imagem
no espelho quebrado.

Não há o que proclamar!

Bizarra é minha imagem.

Inerte e fria

sem sorriso

sem crenças

notificando a indiferença

se poe a rasagar os caprichos e
limpa da boca o batom.

Tudo é tão cinza e enfadonho...

Absurdamente enfadonho!

Já não me lembro de mim

me perdi em alguma esquina

enquanto decorava a intensidade de viver.

Queria dormir...

Rubras são as poesias

que ardem nessa minha dor que não tem nome

e mesmo assim me ferem.

Ontem a terra gemeu e cuspiu fel

marcando o semblante do incrédulo
que apenas se oculta olhando-me.

Ama-me?!

Não! Apenas olha-me contra o horizonte tingido

dessa mórbida doçura

enquanto o meu sangue escoa lentamente

trazendo-me o gozo da tontura

de morrer assim, exilada.

Talvez seja meu melhor momento

meu melhor tormento

a delicia de amar e o abandono

de procurar a cura

que não existe.

# Minh'alma clama nas areias de Lençóis, como uma criança sem berço clama por aconchego.

 

#Sinto-me só nessa imensidão de areia e vento, água e sol, retorcendo-me diante de milhões de pensamentos que me invadem como tempestade.
 

# Livro-me de minhas especulações absurdas diante da lagoa azul, tão azul quanto os olhos de quem penso agora. Surgem miragens de corações azuis. De repente, a areia sufoca minhas elucubrações e as leva a naufragar no mar da ambiguidade.
 

# Meu lamento é um uivo lento e largo. Parece quicar entre as dunas, levado pelas pegadas milimetricamente distribuídas na areia. Os sinos tocam (que sinos? Não os vejo, mas os ouço).

 

# As trombetas insistem em chamar para o último mergulho. Minh'alma permanece incólume diante da profundeza de minha dúvida.
 

#Ao fim, deixo-me escorregar goela abaixo do por-do-sol que invadiu, sem pedir licença, meu estribilho. 

(Mhario Lincoln, Lençóis Maranhenses/28.06.2016).

Opinião Poética do Editor
Poetas e artistas convidados

Mulheres e suas poesias encantadas

Porque na poesia reside o encanto. No verso a profundidade da alma e dentro do poeta, a inabalável razão de ter escrito.

São quatro obras, três encantos:

1 - "Mas pode ser só um arrepio/Cada vez que ouço seu passo."  (sozinhes/VERA ALBUQUERQUE).

2 - "... há pouco a dizer/na solidez da solidão/ - o pulso." (Correm Rios/MARI QUARENTEI.) 

3 - "Precisou comer o mar/beber o céu/galgar o vento..." (Alas, Pétalas & Labaredas/Priscila Prado).

RAZÕES DO CORAÇÃO

 

Meu coração de Adão
caído diante da serpente.
Meu coração do Rei Davi,
por Bate-Seba, batendo cegamente, 
surrealista como o de Salvador Dali.

Meu coração de Orfeu,
no inferno por Eurídice.
Meu coração de Prometeu,
Irmão dos fracos, maldito filho de Zeus.
Meu coração de Camille Claudel,
morrendo enlouquecido de amor
na mesma dor de Julieta e Romeu.

Meu coração de Madame Bovary,
amante, sem juízo,
selvagem como o de Peri,
egoísta como o de Narciso...
Ah, esse coração sem razão,
cheio de suas razões,
suicida feito zangão,
escravo de todas as tentações.

Ah, esse coração de Dom Quixote,
desvairado e insensato,
que vive na morte e justifica todos os atos...
Ah, aonde me levas, coração – 
se dizes sim, quando Deus diz NÃO!

ALEX BRASIL

ALEX BRASIL

4 - "Então.../ é bem assim,/ Você em mim/ Eu em você." (Por acaso: simplesmente/ Elieder Corrêa da Silva).

Quatro livros, quatro razões para poetar muito.

(Mhario Lincoln).

Neste suplemento especial, as belas crônicas de José de Oliveira Ramos. Clique na logo para ler.

Sede: Curitiba - Paraná

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