Do financeiro à poesia fértil

(*) MHARIO LINCOLN

Se a poeta que ora leio o livro não sabia o que fazer com tantas letras e insights prazerosos pelo escrever poesia - "por que escrevo/o que me leva a escrever..." - logo em seguida ela concebe seus delírios e o prazer do poema. "Quando leio um poema/fico em estado de graça". À príncípio um paradoxo. Mas na sequência, a gloriosa capacidade de transformar letras em revelação profunda de sua alma e de seus sentimentos. As poesias de Kalil Guimarães (minha conterrânea do Maranhão, morando em Brasília, profissional tecnica-financeira) me transforma em escravo da leitura de, por exemplo, SUBLIME - "O amor é tão sublime/que só mesmo/um anjo/poderia inventá-lo". Magnífica amplitude.

Minha sensibilidade é despertada à medida em que vou naufragando nas águas poéticas de BAILANDO NOS SONHOS, livro sensível, inerente às pessoas que vivem a vida de forma liberta de amarras irreais. Por isso, Kalil tem maturidade ao escrever em verso: "...num emaranhado de loucuras eróticas/deixar que os desejos ardentes/se consumam na liberdade do amor..." Extraordinária sensatez inerente à mulheres de seu tempo, tempo de ser poeta, como ela mesma escreve: " Ser poeta é ver a beleza no ar que dá vida/ na lua que envolve os amantes(...)/ nas lárgimas marcando sentimentos..."

É assim que Kalil Guimarães escreve. Com talento e com emoção. Com força e com a batuta de quem tem n'alma a experiência de sentir o todo. De sonhar com o muito. De vivenciar o sangue que lhe corre nas veias. E com coragem imbatível: " Não sei.../Felicidade!/ que poder irracional/ que desconfiança injusta/que não incorpora a mentalidade sã/ que pede sempre a liberdade plena...". Parabéns Kalil. O livro me emocionou. E com certeza, a todos que o leram.

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