Uimar Junior, ator performista, protesta

ACERVUM

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UIMAR JUNIOR ator performista, ativista cultural maranhense, vencedor de prêmios do Hotel Glória, no Rio de Janeiro, com talento reconhecido no Brasil e fora dele, decidiu fazer uma performance pública, protestando contra a retirada da fonte luminosa da praça D. Pedro II, em São Luís-Ma, ícone de uma das melhores épocas vivenciadas pelos ludovicenses e por inúmeros turistas que visitavam a capital do Maranhão até pouco tempo.

Uimar Junior afirmou por telefone que a Fonte Luminosa da Mãe D'água, então montada em frente da Catedral Metropolina da cidade, havia sido construída para mostrar a exuberância da época, somando-se às belezas de outras fontes e pontos turísticos da Ilha dos Amores. Porém, uma autoridade pública municipal, após anos de abandono, invés de recuperar, arrancou o monumento, jogando-o em um canto no Museu Histórico de São Luís. Uimar foi lá e verificou as reais condições da principal peça, a Mãe-D'água, feita em bronze, cujo autor é maranhense e se chama Newton de Sá. Essa escultura ficava no centro da fonte, cercada de holofotes de diversas cores, enquanto jorravam jatos dágua que pareciam dançar com os ventos. "Isso é uma vergonha o abandono dessa peça de arte, relegada ao tempo, num dos terraços do Museu. Por isso, faço meu protesto, logo mais...", disse Uimar Junior, membro da Academia Poética Brasileira, Cadeira de número 23.

Fotos com Uimar Junior, ator performista e ativista das artes cênicas. Ele faz uma atividade performática neste 12, em frente à Catedral Metropolitana, em S.Luís-MA pela volta da Fonte Luminosa e da Mãe D'água ao local de origem.

O Destino da Mãe D'água
(*) Mhario Lincoln

Triste sina, a da Mãe D'água.
Antes, reluzente. Cabelos perfeitos.
Luz da ribalta, agora ausente.


Brutalmente sacada da praça,
Colírio para adulto e adolescente
por sua beleza sem defeitos.


Destruíram a fonte. Rude depredação.
Nem mesmo a feiticeira Circe,
da Odisséia de Ulysses, conseguiu
ordenar o canto melódico
de suas ninfas maŕitimas,
para recuar dirigentes insanos
Tristes políticos ufanos.


Demolidores da Cidade de São Luís,
do patrimônio da Humanidade.
A Fonte Luminosa virou saudade.

Foram-se: Iemanjá, Mãe-D'água e Iara.


Foi-se a Sereia de beleza rara.
Nus em gravidade, perfeitos seios. 
Corpo de musa, êxtase minimalista.
Para os ludovicenses, a escultura 'parla';
Como Moisés de Michelangelo.

Dos mais velhos, a normalista...
De todos os ângulos, todos os meios.

Assim, a Mãe D'água mágica
Fazia a praça D. Pedro II 
perder o machismo heróico
diante da nudez mitológica.
Desbravada em essência de bronze,
numa performance ecológica

entre o rio e o mar...


Hoje, restam ecos em dó bemol,

sob a angústia causticante do Sol.

 NOTA: São dois os valores relevantes da obra: Primeiro, quem a esculpiu foi primeiro artista maranhense a ganhar destaque nacional no Salão Nacional de Belas Artes, tendo inclusive recebido um prêmio por essa bela obra. Segundo, essa escultura, símbolo da efervecência social da Ilha de São Luís, é referência importante no livro “A obra escultórica de Newton Sá”, da escritora maranhense e professora de História da Arte, Raimunda Fortes.

Sede: Curitiba - Paraná

Envie seus trabalhos para mhariolincolnfs@gmail.com