Vamos fazer uma casa na árvore...

                                     Eduardo Marques

 

Um livro. Um convite ao conhecimento das coisas fundas da vida; uma aproximação cuidadosa das raízes dos sentimentos todos que as nossas e as outras pessoas podem experimentar ao longo da existência. Uma água, que mar, inunda ou refresca as almas inquietas, sempre a depender da fundura que estas podem alcançar.

Esse projeto para meu primeiro livro, de única autoria, com pouco mais de quarenta poemas independentes entre si – segundo a previsão inicial -, encosta o leitor aos sentimentos honestos e o apresenta uma dinâmica peculiar de escrita, onde a imaginação torna-se livre e a interpretação faz-se desprendida das trivialidades estéticas.

A ideia para esse projeto surgiu com o texto intitulado “casa na árvore”, escrito por

mim no fim de 2015, através do qual descobri – pela recíproca que gerou à época - que as pessoas todas têm momentos pendentes que almejam reviver, e que isso é algo de extrema relevância, uma vez que não se pode, ainda, voltar no tempo. Deste modo, as vontades todas se transformam em desejos impossibilitados de realização, porém passíveis de transformação em doces e afetuosas lembranças.

Algumas editoras levantaram interesse na publicação, que ainda está em suspenso

pelo processo de análise em si e por eu estar à cata de mais possibilidades; mas, espero que avancem os interesses e, portanto, que haja realidade nesse breve desejo de ser um construtor de palavras vivas. O título provisório permanece “vamos fazer uma casa na árvore” e é provável que perdure; é, de algum modo, uma forma de prestar reconhecimento ao texto que pariu à luz a ideia fulcral do livro.

Quem jamais desejara uma casa na árvore? Quem jamais temera as escuridões dos

quartos de descanso? Quem em momento algum perdera sonhos e amores ou ganhara-os com boa dose de sorte? Quem jamais fora uma menina de vidro ou o rapaz que a fizera quebrar? Foram instantes dessa simplicidade que me provocaram e possibilitaram-me erguer os sentimentos e verbalizar miudezas demasiado importantes na vida de qualquer gente.

Os textos apresentados nessa obra buscam os corações mais repletos e os olhos mais atentos, para que estes saltem à sorte, a fim de conhecerem tudo o que se pode, tudo o que se deve e tudo o que se quer. 

LEDO ENGANO


Adriana Araújo

Naquela noite ela sentou na calçada 
Braços cruzados no corpo do tempo
Não era um abraço, era um aperto
No vão, na falta, no esquecimento
Esperava a longa marcha do silêncio 
Assistia ao desfile calada, cansada
Pensou no quanto parecia madura
Depois, lembrou do quanto gritara
- o amor pode ser um tormento -
E se deixou ficar ali, muda, sentada
Sentindo todo aquele vazio noturno
Que já parecia durar milênios.

QUEM ESPERA...

Eloy Melônio

"E se deixou ficar ali, muda, sentada/Sentindo todo

aquele vazio noturno"

De ditado em ditado construímos nossa vã

filosofia. Porque, muitas vezes, é ela que nos socorre nos momentos de tristeza. Mas a realidade é mais nua e crua do que queremos imaginar. 

O poema LEDO ENGANO, de Adriana Araújo, nesse aspecto é profundamente revelador. A pergunta é: até quando se deve esperar por alguém ou por alguma coisa?

"És livre na luz do Sol e livre ante a estrela da noite./ E és livre quando não há Sol, nem Lua ou estrelas./ Inclusive, és livre quando fechas os olhos a tudo que existe."  Khalil Gibran

Sede: Curitiba - Paraná

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