A estreia de poetas jovens e uma dama da poesia; dois maranhenses, e um carioca:

Alexander Amaya Castillo Caldas Motta, Lucas Soares e Gardênia Caldas Motta

Revoar Vitorioso

Por Alexander Amaya Castillo Caldas Motta.

 

Quero pensar... Ouso instigar.

Ao certo, não sei ao menos o que procuro: glorificar minha existência ou

tão somente saciar minha curiosidade.


Em minha pura ingenuidade, busco um anseio inerente aos homens:

o desejo de vitória.

Em suas empreitadas épicas, os guerreiros antigos seguiam com coragem e bravura, usando a força de um rei, visando um
cenário oposto ao trágico futuro esperado, sem cessar suas caminhadas, na certeza de abater o inimigo, e retornar aos sons
de trombetas melodiosas unidas a badaladas dos sinos da vitória.

Minha realidade, mesmo sem as referências épicas, ainda busca o som das trombetas. Sem espadas, utilizadas até se unirem à carne do guerreiro como um só, ou escudos pesados que não deixam um ideologia morrer.


Mas, sim, a ferocidade de um plano terreno em que as badaladas podem ser não mais do que o pranto de uns, em detrimento da ganância de outros.

Reflito um instante. Será que busco algo que em verdade não me é dado o direito celestial de conhecer? Por acaso há resposta para visões

tão diferentes, separadas pelo tempo, mas
vividas no mesmo lugar, como a determinação do guerreiro antigo e a ganancia do
homem contemporâneo?

 

Em meio a minhas divagações existencialistas, olho uma pomba voando.
Animal frágil e pequeno. Mas com uma liberdade tal da qual sou privado.
Voos alçados que em minha visão simples aparenta um simbolo de imponência,
próximo aos portões do paraíso, passeando com os anjos, no fogo infindável da vida.

Meus olhos agora se abriram.

Minha cegueira reflexiva, a qual não foi por mim percebida, se calou. As portas da sabedoria e do infinito abriram uma brecha para mim.
Procurei no complexo o que estava no simples.
Compreendi que vitória e liberdade se complementam, e destas, a primeira fora minha ocupação primordial.

Uma mensagem divina descobri hoje. Agradeço a Deus. E também gostaria de reencontrar minha pomba, para cumprimentá-la,

do mesmo jeito que desejo aos outros encontrar verdaderiamente sua respectiva pomba

O poeta Alexander Motta com o avô, cientista Petronilo Motta (E).

Guardo alqueires

de flores de mãos
desnudas dos que plantaram
esperança em chão vazio...
Guardo a dor da súplica
do Mudo Olhar dos que
interrogam a Vida com a
Lágrima,
Sem o Beijo,
com a Cruz!

A poeta Gardênia Caldas Motta, irmã de um dos maiores simbolistas do Maranhão, poeta Marconi Caldas e esposa do cientista Petronilo Motta (E).

Lucas Soares

Eu quero!
Eu quero ter você para mim o rosa do meu jardim.
Você é o sonho lindo que sonhei pra mim.
Você faz meu coração bater que esqueço até a hora de comer.
Não vejo a hora de te encontrar para dizer tudo que estou sentindo dentro de mim.
Venha me amar e diga que sim sabe porque?
Porque esse amor não vai ter fim.

Autor: Lucas Soares

Resumo Poético
Paulo Rodrigues

Em alguma parte alguma: uma oficina poética “o poeta inventa o que dizer.” (Ferreira Gullar) Comecei a ler Ferreira Gullar ainda na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), quando iniciei a graduação em Letras, em março de 2000. Naquele momento, o meu olhar percorria a poesia de Nauro Machado, numa sede interminável. Eu o achava injustiçado pela crítica e pelos leitores (E AINDA ACHO).

Não entendia mesmo, porque o frisson em torno só do Gullar. Tratei de ler o autor do Poema Sujo com a paciência de quem caça um tesouro. Fui somando muitas belezas ao longo das páginas. Lembro da primeira vez que vi o Vinicius de Moraes afirmar, num tom hiperbólico, as virtudes da linha discursiva do último grande poeta brasileiro. Como fiquei comovido. Virei estudioso da obra completa. Li ensaios, as crônicas publicadas no Jornal do Brasil, no Pasquim. Li também Romances de Cordel, Dentro da noite veloz, Muitas vozes, Toda Poesia. Acabei concordando com a apresentação do Sergio Buarque de Holanda. O reconhecimento veio logo. A crítica aplaudiu a força do filho do seu Newton Ferreira. O mundo abriu os braços para o cotidiano épico, nas contradições do homem/artista. Ganhou o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, o Prêmio Camões, que é a mais significativa honraria concedida aos escritores da Última Flor do Lácio. Fora indicado ao Nobel de Literatura duas vezes, valorizando o esforço criativo de quem se dedicou mais de meio século, a inventar a sua própria voz poética. Mas, devo dizer que não canso de reler: Em alguma parte alguma (Editora José Olympio, 2010, 140 páginas), um livro de capa discreta, lembrando um caminho no meio do deserto. Apresenta 58 poemas, organizados como se fosse uma exposição, na bienal da existência. São quatro partes de um curso de poesia, que começa com um manifesto chamado FICA O NÃO DITO POR DITO (2010, p.21): o poema antes de escrito não é em mim mais que um aflito silêncio ante a página em branco. Sempre foi uma busca no percurso literário do Gullar, a construção da sua própria teoria sobre o poema e a poesia. Ao modo dos grandes nomes da literatura universal, que eram também ‘químicos’ do principal e mais completo fenômeno da linguagem: Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Rainer Maria Rilke e Erza Pound, que sempre buscaram teorizar sobre a poesia. Temos com ele, um zoom dentro do acontecimento. Não existe mais que a aflição no sujeito lírico, antes de começar a luta para vencer a poesia, e em seguida, trazê-la de volta (nos ombros), para viver entre o comum dos mortais. Continua em várias partes da obra discutindo os caminhos, tentando juntar os enigmas da receita, que está ligada ao surgimento do homem. No entanto, simplesmente não pode ser reproduzida. Cada mão corajosa deve procurar o fermento poético na massa das angústias, como observamos em DESORDEM (2010, p.26): porque por mais que se diga e porque disse sempre restará no dito o mudo o por dizer já que não é da linguagem dizer tudo. Vejamos mais um exemplo para entendermos a discussão. No poema OFF PRICE (2010, p.35), o eu lírico assume a teoria do poema como algo inesperado, não pensado, não buscado, em hora nenhuma da existência. E vai além questionando o mercado, a indústria capitalista que fabrica bens culturais, sem ingredientes de cultura: que a sorte me livre do mercado e que me deixe continuar fazendo (sem o saber) fora de esquema meu poema inesperado. e que eu possa cada vez mais desaprender de pensar o pensado e assim poder reinventar o certo pelo errado. O velho Gullar não tinha medo do debate. Viveu buscando entender a própria vida, através da sua imensa produção artística, que deixou desenhos rupestres nas cavernas da humanidade. São desenhos insuperáveis. O tempo não os apagará, portanto vamos fazer com ele, o mesmo que nos mandou fazer com Rilke, no poema que encerra este livro: dizia a vida resta-nos buscá-lo nos poemas onde nossa leitura de algum modo acenderá outra vez sua voz. Obrigado, poeta, por tua longa oficina de POESIA! Texto: PAULO RODRIGUES – Professor de Literatura, poeta, escritor, autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017).

MEU SONHO

Tenho um sonho
  Em minha vida
Um belo livro escrever
Com meus versos

em poesia
É tudo o que seu fazer.
Escrever, coisas da vida
  Do fundo do coração
Com linguagem, muito simples
Porém, que chamem

atenção!

É  um sonho,

que sempre tive
 Espero realizar,
Para me será vitória
Quando se concretizar.

Com muita garra e luta
Jamais, penso em desistir
  Enquanto vida tiver
Lutarei pra conseguir.

Um sonho, não se desfaz
  Com fé no coração
A força  do pensamento
Essa é minha decisão.

Poeta: Maria José da Silva, Membro da APB/Rio de Janeiro

Sede: Curitiba - Paraná

Envie seus trabalhos para mhariolincolnfs@gmail.com