A  dor

 

(Marcia da Costa Larangeira)

A dor é um desconforto... um desalento... um mal-estar
que vem com a decepção, o desgosto, a mágoa e o pesar.
É causada pelo apego, empatia ou compaixão
por amar demais ou sentir afeição.
Ou... quando a vida não faz a nossa vontade...
É Intensa na ferida, no desamor,
na carência, na ingratidão e na saudade
e é provocada pela ansiedade,
pela ganância, a cobiça e seus queixumes,
por orgulho, por inveja e por ciúme.
E também pelas fraquezas do EGO e seu centrismo,
pela negligência ou por egoísmo...
São coisas que minam e envenenam o pensamento
causando o martírio e o tormento,
que a vida, às vezes, nos faz sentir
e ao qual não devemos tentar fugir.
Pois a dor necessita ser aceita e ouvida
e ainda que se torne mais doída,
é necessário compreendê-la
para que seja curada e vencida.

FOME DE AMOR
Francisco Baia

Tenho fome
de ti, a cada dia
enfraqueço pela
tua ausência, e
sabes que minha 
essência é estar
contigo.

Alimente-me com
néctar que trazes
nos lábios, e eu,
como beija flor 
absorverei cada 
gotícula escondida
em cada canto da
tua boca.

Dê-me de comer,
quero degustar cada
pedaço do teu corpo,
sentir o sabor, o gosto
tentador que emanas
de cada poro,
minha fraqueza implora
teu vigor!

Ressuscita-me na tua
juventude eterna! 

Quero-te como minha
recompensa sim, mas
enfraquecido como estou,
necessito muito mais do
que algo material, sólido,
consistente, careço de um
beijo longo e ardente, um
abraço estonteantemente
enlouquecedor, um intenso
e imenso amor, o teu amor.

Queres qu'eu morra então?
Senão, traga-me como prêmio
teu coração.

Francisco Baia

Moisés ABILIO

(Maranhão)

– GOLADA POÉTICA

No gole do verso verseja a saudade
Escutando a poesia, ouve-se a cidade.
A lua se faz presente e bebe um gole no rio
Martela a poética, dia e noite a fio.
Na rua onde a poesia é fato
Goleia-se a golada no verso no ato

 

Na irresponsável responsabilidade do artista
A história tem seu curso loucuras à vista!
No do dobre da viola antes calada
O verso imberbe inicia a noitada
A poesia na roda, que roda o canto.
O louco na sua lucidez dá voz ao encanto

Na fulor que murcha dando um cheiro amarelo
Cresce a rosa colorindo um quadro tão belo
A noite é da lua do poeta é a luta
Sou bêbado sou pandego, sou a prostituta.
Sou verso sou prosa também sou canção.
Sou espinho sou rosa explodindo sou só coração.

Sou pranto sou dor sou vida e labuta.
Sou cantiga de ninar na voz de uma puta
Sou vida espalhando o verso e a prosa
Sou a miséria cantando a sextilha da glosa
Minha poesia é percurso nada palatável
Sou o verso o canto sou irresponsável.

Nos pesos dos anos da vida vivida
Sou eu a poesia que nunca é vencida
E um bando de loucos sem ter oque fazer
Faz de tudo pra arte vencer
Sem espaço sem regras e também sem estética.
Tai aí o retrato da golada poética.

Monica Puccinelli

Sede: Curitiba - Paraná

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