A curva do olhar

 

Muitas vezes só vemos a felicidade nos lugares onde não deveria,

Nas coisas que compramos,

No poder que alcançamos,

No comando das pessoas,

No consumo e na luxúria.

E muitas vezes, quase sempre, nos enganamos,

Porque é uma felicidade vulgar, passageira,

Como uma droga, que quando passa o efeito,

Deixa a dor e o sofrimento maiores que antes.

Olhamos para fora, para os outros, para longe,

E o certo seria que esse olhar fizesse uma curva imaginária,

Delineasse um giro e retornasse.

Descobriríamos que não precisávamos olhar para tão longe,

Mas sim para dentro de nós mesmos.

A felicidade depende de nós, como diz a música, de como encaramos a vida,

De como encaramos as dificuldades que enfrentamos.

E cabe a nós, somente a nós, a escolha de sermos felizes ou não.

 

Jorge Cruz

25/01/2016

Protesto de um Cartão de Natal

Sou um cartão de Natal

Que quase desapareceu

Tenho uma frase especial

Iluminando qualquer breu

                                     

Hoje estou aflito

Pois fui substituído

Pelo cartão digital

De um jeito banal

 

Antes eu era enviado pelos Correios

Protegido em um envelope macio

Eu acabava com tristezas e anseios

Causando um suave arrepio!

 

Na parte externa eu tinha uma gravura

Por dentro eu possuía uma linda mensagem

Enchendo os olhos, do leitor, com ternura

Enquanto seu coração fazia uma viagem!

 

Eu viajava em malas para chegar a qualquer endereço

O importante é que meu verdadeiro preço

Ajudava asilos, abrigos e crianças carentes

Provocando sorrisos nos mais meigos inocentes!

 

Ás vezes, jogavam em mim, perfume de alfazema

Mas foi substituído por cartão virtual e telefonema

Tudo isto é o meu grande problema!

 

Sou um cartão de Natal

Que quase desapareceu

Tenho uma frase especial

Iluminando qualquer breu.

Luciana do Rocio Mallon

Espetáculo

 

A exibição começa no primeiro ato

Os espectadores atentos choram sorrisos

A proibição apressa o mineiro nato

Os atores do elenco adoram risos

 

O espetáculo permanece agradando amores

O produtor luta e evita crítica

O báculo desaparece ensinando atores

O pavor dura na vida triplica

 

A emoção arrepia provocando palmas

O coração precipita-se adorando almas

A paixão recita implorando calma

 

No apura fraude o dono sai

No lustra balde o sono vai

A indústria aplaude e o pano cai.

.

 Roger DAGEERRE. Do seu livro Primeiro Andar.

·Soneto clássico com todas as palavras rimando.

Igor Soares Veiga

Não caibo em mim hoje... É uma grande honra fazer parte de uma antologia internacional composta por poetas e artistas plásticos de todo o mundo. Ainda mais quando a mesma tem por intuito combater a violência contra a mulher e o assassinato de muitas que ocorre diariamente em nosso país. Quem quiser dar uma conferida na obra ela está no link abaixo na íntegra - meu poema está na página 107. É só colar na barra de endereço. No mais, paz...( http://pt.calameo.com/read/00465428559475276285a)

QUE TEMPO?

De longe eu fico
a olhar o tempo 
passar, e que passou
deixando rastros
visíveis de um sonho
que somente se principiou.

Os gingados das coireiras, o bailar
das morenas afoitas,

as luzes que cobriam
a pequena distancia 
da esperança, a madrugada
embriagada de homens
perdidos de vontade,
as redes cheias, vazias,

as noites, os dias, a fumaça
queimando a mente da juventude
sorridente e sem alcance de nada!

Tudo! Tudo desenhado na areia das
lembranças que me fazem cerrar
os punhos e fechar os olhos, antes
que as águas cinzentas escorram
sobre meu rosto e me faça sentir
ser o último homem que tentou
em dia amar de verdade, a verdade
oriunda da inocência perdida nos
acordes africanos, insano tempo,
meu tempo e que tempo!

Contratempo da minha dor.

Francisco Baia

Jorge Cruz
Poeta e escritor Pernambucano,
residindo atualmente
em Curitiba-PR, tem sua estreia no ACERVUM.
Seja bem-vindo, poeta.

De repente...
De repente o que era claro tornou-se escuro;
...o que era óbvio tornou-se vago;
...o que era diário tornou-se escasso;
...o que era farto tornou-se regado;
...o que era só paz, de repente, não é mais
...o que fazia um danado, nada mais faz;
...o que era inconfundível  tornou-se supercondicionado; 
...o que era quente tornou-se gelado;
...o que era calmaria tornou-se nevralgia;
...o que era molhado tornou-se seco;
...o que era saudade  tornou-se soledade;
...o que era palpável tornou-se inviável;
...o que era infinito tornou-se finito;
...o que era sussurro virou grito;
...o que era vasto  tornou-se incerto;

Zaymond Zarondy

São José de Ribamar - Maranhão - Brasil

...o que era inseparável tornou-se  disperso;
...o que era beijo tornou-se sobejo;
...o que era esperado tornou-se inesperado;
...e de repente o tudo tornou-se o nada;
...o que era só amor tornou-se ermo:
Contido dentro de um coração triste, quase enfermo,
Que andava feito em círculos e à esmo...

 

Zaymond Zarondy

Sede: Curitiba - Paraná

Envie seus trabalhos para mhariolincolnfs@gmail.com