NO SAL DA PELE


Abre-se em mim a existência
Que vive de amores plenos
Nunca pequenos olhares
Ou beijos insossos e rotas palavras.
Abre-se em mim a Mandala da vida
O pergaminho e seus veios de ouro e pó
A “veladura” que ilumina os traços/marcas do seu corpo
Um dia, no meu...
Um dia que não amanheceu
E uma noite que não se desfez da escuridão
Ainda caminham rentes aos meus pés
Trazendo raízes e urzes
Sementes e grãos.
O olhar do Fauno, olha-me enviesado
E seu hálito ri, numa boca de sumidouro.
Gritos e gemidos
Pele se rasgando
Carícias na beira do abismo
Vulcão explodindo em lavas...
Lava-me os pés com as águas da tua Lua
Lágrimas de Selene
No sal da tua existência salga-me os passos
Por que eu amo e caminho sobre as brasas
Trazendo-te o meu cálice
E as uvas da minha videira.
Num temporal de fogo
Ódio e amor na carnadura da tua boca na minha
Beija-me, enquanto me salga a carne.

Campina Grande do Sul/PR

'E seu hálito ri,
numa boca
de sumidouro...'

Campina Grande do Sul/PR

NOTA DO EDITOR - Cara Luciah. Escrevo-te esta carta para confessar que me encanta ler essas estrofes e versos. Encanta-me a solidez do mote. A linha performática, até, com a qual você vai tecendo o tijolo poético, sob o prelo do conhecimento prático.

Teus poemas me obrigam à lucidez interpretativa. Essa é a vantagem de traduzir um insight simples, quase comum, sem rimas lógicas ou perceptíveis, mas com espectro profundamente desestrutural.

Note-se: "Um dia que não amanheceu/E uma noite que não se desfez da escuridão."

Sem dúvida, é de extraordinária beleza essa inversão brusca de sentido. O impacto que isso cria em quem lê e sente sua poesia. Esses dois versos contam uma história e é nesse enredo que me espanta a clareza de: "O olhar do Fauno, olha-me enviesado/E seu hálito ri, numa boca de sumidouro."

Ora, o Fauno era uma divindade romana que passeava entre o homem de chifres e pés de bode, assemelhando-se à figura grega chamada de Pã. Um detalhe, no entretanto, chamava a atenção. O Fauno era doce e delicado com as ninfas dos campos romanos. Aí entra a criatividade poética de Luciah - o olhar enviesado - do Fauno, cujo mito, nunca o faria olhar assim. Mas é perfeita essa construção poética porque, mais na frente, seu verso seguinte a esse vem ao encontro da conclusão lógica: "E seu hálito ri/numa boca de sumidouro."

Essa é a representação factual do simbolismo concreto, uma escola surgida no final do século XIX, na França, cujo expoente escreveu o inimaginável "As Flores do Mal", o poeta Charles Baudelaire

Mas foi Cruz e Souza, poeta brasileiro, quem popularizou o simbolismo no Brasil com versos, tipo: "Gargalha, ri, num riso de tormenta, / como um palhaço, que desengonçado, / nervoso, ri, num riso absurdo, inflado / de uma ironia e de uma dor violenta." (Note-se a inversão brusca do mesmismo; na mesma lógica que envolve a sua sedução dramatúrgica, Luciah. Pois é explícito - em ambos os versos - que não é a construção ortográfica que se assemelha. Mas a construção subterrânea das idéias; ou seja, onde o verso vai e onde ele vai chegar.

Contudo, com uma diferença clássica: o verso bem elaborado - como constroem os dois poetas - não precisa de técnica, nem de escolas, nem de sofrimentos.

Precisa, apenas, ser um veículo condutor, onde o passageiro dessa estrada de sonhos é o leitor.

O leitor, incitado e excitado pela condução poética - esta, nem sempre explicativa em sua plenitude - se depara gloriosamente com uma nuance de dúvida, a fim de que ele possa construir seu enredo contemplativo, numa hermenêutica de passo a passo, sob o desenrolar do fluxo versicular, tirando desse, a maioria das sensações que a alma de quem lê possa disponibilizar naquele momento.

Isso é um fenômeno clássico. Li em Antoine de Saint-Exupéry, sobre a sua construção poética: "A verdade não é, de modo algum, aquilo que se demonstra, mas aquilo que se simplifica." Então, Luciah, na mosca!

É tão difícil escrever assim? Eu pergunto e você responde: Não!

Especialmente quando leio, por exemplo, fruto de sua imaginação, Luciah, o que se segue: "Vulcão explodindo em lavas.../Lava-me os pés com as águas da tua Lua."

De um verso tão mesmíssimo, como "vulcão e larvas", de repente explode algo surpreendentemente eficaz e original - Lava-me os pés com as águas da tua Lua." 

Simbolismo puro!  E aí, entra a parceria indispensável entre a poeta e o leitor. Você deixa nuances interpretativas - com as águas de tua Lua - e provocativas, a fim de que nós, pobres mortais, furtivamente nos esforcemos para garantir um resultado interpretativo mais próximo dessa bela e incognitiva construção poética.

Estou incrivelmente feliz em lê-la! Seja bem-vinda, sempre, minha cara Luciah!

(Mhario Lincoln, editor-chefe do Suplemento ACERVUM.)

Velho Chico

(*) Francisco Tribuzi (Maranhão).


O velho Chico, um  caudaloso rio
Feito de águas  e traumas
De encantos e o calafrio 
Na correnteza de peixes e almas

Misterioso e lendário 
No real e na ficção
Feito de um calendário 
De sonho e assombração 

Ator principal do destino
Da trama e do drama 
Salvador e assassino 
Da sorte e da fama

Um rio comprido ao Léo
Mas não um rio qualquer 
Espelhado no infinito céu
Fotografando sua fonte de fé.

Existem momentos em que versos nos fazem refletir para onde vamos; outros versos, nos tornam sem destino... Parabéns LUCIANA BIANCHINI 

São Vicente (SP)

VERSOS NO SILÊNCIO
Francisco Elíude Pinheiro Galvão

(Originário do Rio Grande do Norte)  

 

 

A lágrima do orvalho estilhaçada
Tombou,
cortada pela espada do vento...
E a lua chorou serena
no espaço do meu peito em desalento...

Calado, apenas sou
como o verso preso no silêncio;
como a rima jogada na fogueira,
tal qual um beijo ardente roubado
atrevidamente!...

Inalado incenso...
Absorvido senso impensado
suspenso no ar,
que aos poucos se dissipa
diante do meu tácito olhar.

Guerreira
Xue

São

Paulo,

capital

Mhario Lincoln: Seja bem-vinda:

Guerreira Xue: Grata, Mhario. Na verdade, o meu nome é Hilda Milk, mas escrevo com o pseudônimo de Guerreira Xue. Comecei meu trabalho sério de escritora tem pouco tempo, e desde então estou por diversas redes sociais divulgando meu trabalho, como também de outros escritores independentes. 
 

ML: Quais os endereços desses trabalhos na rede?

GX: No Facebook:
https://www.facebook.com/groups/escritoresaprendizes/

Esse grupo tem a proposta de ajudar em incentivar novos escritores. Aqui trocamos informações e viabilizamos os trabalhos de forma a partilhar

acessibilidade.

No Blogspot:

http://escritoressemfronteiras2.blogspot.com.br/

Existe o blog também onde os autores enviam seus trabalho sinalizando seus livros e links de vendas.

Grupos de Poesia:

https://www.facebook.com/groups/prosaepoesia/

Esse grupo é de integrantes de uma plataforma 3D de interação social, onde nos encontramos com frequência para praticarmos poesia.

https://www.facebook.com/groups/meusteusdesabafos/

Esse grupo é genérico.

Minha Página:

https://www.facebook.com/GuerreiraXue/

Essa é minha Página de escritora. Escrever nem é tão difícil para quem gosta. O problema mais sério é ser lido pelos brasileiros, pois em meu país pouco se valoriza novos talentos na escrita.

ML: Fale-me sobre seu primeiro livro:

GX: Publiquei meu primeiro livro físico - O Ogro e a Tecelã, em 2014 pela Editora LP-Books e de primeira já fui lançar na Bienal Internacional do Livro.

 

ML: Então foi excelente sua estréia em bienais? 

GX: Não! Confesso que foi uma experiência realmente frustrante perceber que os holofotes e brilho dos escritores já consagrados tomaram espaço sem lugar para os novos talentos. A editora pela qual fui lançada pouco fez para mostrar meu trabalho e dos demais que ali laçavam seus livros. 

Eu como novata nisso tinha que experimentar, e não demorou muito para entender como isso funciona.

ML: A quem você atribui essa falha?

GX: Bem, acho eu que o mercado editorial brasileiro passa por uma falta de visão, no que se refere a escritores novos, pois não está interessado

em comprar direitos autorais dos escritores ou abrir novos espaços vendendo seus livros para o público. Contenta-se em vender diretamente para o

autor, e o faz sem fornecer qualquer estrutura para lançamento ou estratégias de vendas.

ML: Então qual solução você encontrou:

GX:  De posse dessa informação e com meu armário cheio de meus livros, eu parti para outros caminhos, pois se eu tiver que pagar para ser lida, que me leiam de graça então. Tenho o meu trabalho inteiro à disposição para leitores na netescrevo para jornais, de graça. 

Recentemente descobri como publicar livros digitais no Amazon e o que é melhor, também de graça.

Eu tinha sido convidada para participar da bienal, mas para isso eu teria de lançar um novo livro, e certamente eu não estava muito disposta para mais

despesas e mais livros guardados.

ML: O que você fez, então?

GX:  Então fiz o seguinte, publiquei o livro “O Ogro

e a Tecelã” em digital no Amazon e aproveitei a economia contratando um amigo que faz tradução para o inglês e lancei em dois idiomas, Português e

Inglês, até agora. E para breve terá publicação em espanhol e em japonês. Achei muito interessante a plataforma porque posso me utilizar das bandeiras

que o Amazon tem, para maximizar a visibilidade de meu livro.

Endereço AMAZON:

https://www.amazon.co.uk/dp/B01J6J23AU

Esse, na versão digital em Inglês e para quem tem o aplicativo Kindle é de graça.

https://www.amazon.com.br/dp/B01H8AC6B0

Esse na versão digital em Português, e para quem tem o aplicativo Kindle é de graça.

 

ML: Você tem outros livros prontos?

GX:  Tenho muitos livros prontos no momento, e espero publicá-los todos em livro físico também, mas não para guardar ou empatar investimento, e sim para vender realmente. Fechei contrato com uma editora portuguesa, a Pastelaria Studios Editora

recentemente e terei um livro de poesias publicado em Portugal ainda sem data prevista de lançamento, mas o titulo é “Pelos caminhos do vento” Deixo-vos aqui um poema que faz parte do livro.

 

 

 

Guerreira Xue

Eu venho lá de longe

Passando pelas mesmas estradas

Que todos passam

Não sou nenhum demônio, pecadora

Ou um monge

Só sigo pisando no chão dos ancestrais

Porque não existe outro caminho.

Por vezes carrego nas costas

Bagagens que não são minhas

São velhas Histórias contadas pelo pai

Que escondidas nas paredes da cidades

Esvaem-se pelas linhas do tempo

E as mesmas escapam-se pelo ar.

Seguem atravessando os mares

Empurradas pelo vento no sopro da vida

Eu da terra não levo nada

Que não seja tudo o que já senti

Numa breve lembrança remota

De alguma coisa que um dia já sonhei

Ou vivi.

Sede: Curitiba - Paraná

Envie seus trabalhos para mhariolincolnfs@gmail.com